quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A luta dos soropositivos contra o preconceito


Um soropositivo pode viver normalmente, estudar, trabalhar, namorar e ter relações sexuais, com proteção é claro. Apesar de passar por uma readequação de sua rotina, tendo que se acostumar com remédios e check ups periódicos, eles podem ter seu dia a dia como todo mundo. Mas o que é mais difícil para eles é a convivência com o preconceito.

Historicamente é muito comum se atribuir ao próprio doente a responsabilidade pela doença que o vitimou, associando-se ao seu modo de vida, hábitos e costumes, que muitas vezes são considerados, por parte da sociedade não apenas como diferentes mas, desviantes ou desregrados. A partir de então surge a idéia, hoje combatida, dos chamados "grupos de risco". Identificar responsáveis é uma maneira simplista de explicar o que não se compreende, e também uma atividade "terapêutica" pois uma vez achados os "culpados" os demais estão automaticamente eximidos de toda e qualquer responsabilidade. No inconsciente coletivo esses indivíduos deveriam então ser penalizados pelo seu delito e seus agravos.

Os piores momentos vividos por Lucas*, de 27 anos, desde que descobriu ser portador do HIV foram os de discriminação e preconceito. A exclusão social é uma das fases mais difíceis de ultrapassar na vida de um soropositivo, pois o preconceito vem de onde menos se espera. “Amigos já chegaram a dizer para que eu evitasse utilizar o banheiro na casa deles por medo de contaminar os filhos deles.” comenta, “Muitos outros amigos de longa data, também acabaram por se afastar a medida que o foi passando”. Mas o maior medo, com certeza é em relação ao âmbito profissional, muitos mantém sigilo sobre a doença por medo de serem demitidos e “fechar portas” no mercado de trabalho e não garantir um futuro.

Para mediar essa realidade o Ministério da Saúde lançou nesta quinta-feira, dia mundial de luta contra AIDS, uma campanha publicitária cuja temática é exatamente essa. Um beijo, protagonizado por um jovem com HIV e uma jovem que não tem o vírus, marca o filme de 30 segundos que faz parte da campanha, cujo slogan é: 'Viver com AIDS é possível. Com o preconceito não'. Símbolo de amor e amizade, no campo da AIDS o beijo assume outras conotações. Mostra que não se transmite o HIV dessa forma, que pessoas soropositivas podem e devem se relacionar, entre elas ou com sorodiscordantes (uma positiva e outra não).

Há uma estimativa de que cerca de 630 mil pessoas estejam infectadas, somente no Brasil. Uma política adotada pelo governo brasileiro possibilita o acesso aos medicamentos para o controle dessa doença, beneficiando as mais de 200 mil pessoas que realizam o tratamento pelo SUS e proporcionando uma melhor qualidade de vida aos portadores da doença.

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