quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Camisinha é indispensável mesmo em relacionamentos longos

Assistindo a novela das 21h, uma das personagens perguntava para outra se devia ou não deixar de usar preservativo com o parceiro, com quem está namorando há seis meses. Elas ficaram na dúvida sobre o assunto, assim como muitas mulheres que me questionam no consultório. 



Muitos homens ainda pressionam suas parceiras nesse sentido e na hora de tomar a decisão é preciso levar em conta diversos fatores, mas acredito que o principal é a própria saúde. Por isso resolvi escrever sobre fatos e números que justificam eu ser a favor do uso da camisinha sempre, independente de quanto tempo de relacionamento se tenha.

Algumas pessoas acreditam que eu seja um pouco radical nesta conduta, mas infelizmente, as doenças sexualmente transmissíveis não fazem distinção de classe social, raça, idade e nem mesmo beleza física. É claro que os casais podem fazer pactos de fidelidade, mas é preciso estar ciente que mesmo com pactos pode se correr riscos, pois algumas doenças podem ter sido adquiridas antes do início do relacionamento e não terem sido detectadas até o momento. Então é preciso conhecer os riscos com clareza para decidir se realmente deseja arriscar. Alguns caminhos não têm volta, mesmo com tratamentos.
Prevenção é a palavra-chave: só o sexo seguro pode impedir o contágio e a disseminação dessas doenças.

Conheça algumas DSTs 

A gonorréia, causada por uma bactéria conhecida como Neisseria gonorrhoeae, é transmitida através do contato sexual, por meio de secreção infectada. O risco aumenta junto ao número de parceiros e a pessoa pode se infectar muitas vezes na vida. Os sintomas dependem da região do corpo onde a infecção se manifesta, e algumas pessoas não têm sintomas.

Nas mulheres, a infecção pode ocorrer no colo do útero, no útero, nas trompas e nos ovários, e os sintomas podem incluir desde um corrimento até infertilidade ou gestação nas trompas. Nos homens, os sintomas que podem aparecer são dor ao urinar, corrimento leitoso do pênis, dor e inchaço em um testículo.

O tratamento é o mesmo para homens e mulheres e sempre é preciso tratar o casal para que não haja reinfecção.

Sífilis 


A Sífilis se dá por meio de contato com feridas ocasionadas por essa doença sexualmente transmitida, causada pela bactéria Treponema pallidum. Essas feridas ocorrem com mais frequência nos genitais, são indolores e podem não ser visíveis, o que dificulta o diagnóstico.

Durante a gravidez, a mãe pode transmitir sífilis para o feto, por meio da placenta. A infecção congênita está associada a vários resultados adversos, incluindo morte perinatal, parto prematuro e baixo peso do bebê ao nascer.

Muitas vezes os sintomas não são aparentes e a pessoa pode tanto contrair a doença como passá-la adiante sem perceber. Assim, a doença pode ficar oculta durante anos.

O diagnóstico da sífilis é mais comumente feito por exame sorológico (de sangue) para a doença, e a penicilina é o antibiótico mais indicado para o tratamento, que deve envolver os dois (ou mais) parceiros.

No caso das gestantes, é preciso ter cuidado redobrado - apenas 20% das crianças nascidas de mães com sífilis não-tratada serão totalmente saudáveis. Além disso, há bebês que não apresentam sintomas e, se não forem medicados, vão apresentar sérios problemas em poucas semanas e ter o seu desenvolvimento natural comprometido.

Herpes Genital

O Herpes genital é causado pelo vírus Herpes simplex e transmitido por contato sexual. A doença pode ser transmitida mesmo quando não existem úlceras ou bolhas visíveis, através do sexo oral, vaginal ou anal - neste último tipo, o risco de infecção é maior.

Pessoas com herpes genital têm um risco maior de contrair o HIV. Isso porque, durante um surto, bolhas e úlceras ficam mais expostas à penetração de fluidos genitais do parceiro. Esses surtos podem ser desencadeados por estresse, luz solar, pílulas anticoncepcionais e cansaço. O diagnóstico de herpes genital é baseado na história clínica do indivíduo, o que inclui seus sinais e sintomas, além dos resultados de exames.  

Hepatite 

Hepatite A é causada pelo vírus da hepatite A (HAV), doença que provoca a inflamação do fígado. Ela pode ser contraída, do ponto de vista sexual, através do contato entre a boca e o ânus. O diagnóstico pode ser feito tanto pela observação de sintomas quanto através de resultado de exame de sangue.

Já a Hepatite B se dá pelo contágio do vírus da hepatite B (VHB), que pode ser adquirido por meio de sangue, sêmen ou outro fluido contaminado. Por isso, a contaminação pode ocorrer não só nas vias sexuais, como através do contato com feridas expostas em outras partes do corpo. Outra forma importante de contágio é no parto, quando a mãe pode transmitir a doença ao filho.

O exame de sangue é o método mais confiável para identificar a infecção. No caso da hepatite B aguda, o tratamento é feito à base de descanso e alimentação adequada. Já a crônica demanda tratamento específico, com o uso de medicações e constante acompanhamento médico.

A Hepatite C é causada pelo vírus da hepatite C (VHC) e tem baixo índice de contágio sexual, embora também possa ocorrer. Mas a principal via de contágio é através do contato com sangue contaminado - não por acaso, o meio mais comum de transmissão é através do compartilhamento de agulhas contaminadas. O diagnóstico é feito com base em exame de sangue. 
HPV

O papilomavírus (HPV) é uma infecção transmitida sexualmente que provoca pequenos verrugas ou até mesmo o câncer de colo de útero. Embora as verrugas afetem ambos os sexos, as mulheres as desenvolvem em maior quantidade do que homens.

A contaminação ocorre direto com a pele, incluindo a relação sexual, sexo oral, sexo anal ou qualquer outro contato envolvendo a área genital (por exemplo, pelos dedos). Não dá para saber quando o paciente foi infectado, já que as verrugas podem aparecer de semanas a um ano depois da exposição ao vírus.

As verrugas genitais podem ser descobertas no exame ginecológico, mas o diagnóstico correto é feito por meio de biópsia.

Existem muitas maneiras de tratar as verrugas genitais, sendo que algumas envolvem o uso de medicamentos, enquanto outras a realização de procedimentos. No entanto, mesmo com o tratamento, as verrugas podem voltar. Isso ocorre porque o seu tratamento (sintomas) não elimina a causa (o vírus HPV). Por outro lado, verrugas que ressurgem continuam a ser focos de transmissão da doença, e deve haver um acompanhamento médico rotineiro para identificá-las e eliminá-las.

Dicas para a prevenção de DSTs 

- Use um preservativo a cada relação sexual;
- Restrinja o número de parceiros sexuais;
- Consulte um médico sempre que tiver qualquer suspeita ou sintoma;
- Evite relação sexual em caso de um dos parceiros apresentar corrimento anormal, ardor ao urinar, erupção cutânea ou úlcera genital;
- Pessoas infectadas em tratamento devem evitar relações sexuais até que a doença esteja curada, a fim de evitar novas transmissões;
- Evite o sexo quando úlceras genitais estão presentes e, da mesma forma, o sexo oral, no caso de haver úlceras ou bolhas ao redor da boca;
- Visite regularmente o ginecologista para verificar se tem DST, especialmente se um ou ambos os parceiros têm outros parceiros sexuais;
- Evite compartilhar itens como escova de dentes do parceiro, já que podem conter gotículas de sangue;
- Nas relações sexuais, evite o contato entre boca e ânus; - Sexo anal e oral também requer o uso de preservativo, que deve ser trocado a cada ato
- Vacine-se contra HPV e hepatite B.


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